|. HOME .| -->

Saúde do idoso vai demandar cada vez mais atenção da sociedade p1

Aumento dos recursos para atendimento à população idosa é essencial para capacitar profissionais especializados. Cuidado com a saúde do idoso requer novas estratégias da sociedade e do governo

José Luiz Telles de Almeida, diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde, afirmou que em 2006 a saúde do idoso ganhou prioridade com o programa preventivo Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. Dez milhões de pessoas foram cadastradas em 2008, e a estimativa é de que 15 milhões tenham recebido o benefício em 2009.

Telles de Almeida participou do debate realizado pelas comissões de Assuntos Sociais, Direitos Humanos e Legislação Participativa, e pela Subcomissão de Acompanhamento da Saúde e do Idoso.

Segundo Telles de Almeida, indicadores demonstram o impacto das políticas públicas voltadas para o atendimento à população idosa. Ele assinalou que o Ministério da Saúde optou pela descentralização administrativa para as secretarias municipais de saúde.

O representante do Ministério da Saúde admitiu, no entanto, o pouco interesse dos alunos de Medicina pela geriatria e pela atenção básica à saúde e, consequentemente, a carência de profissionais, especialmente no interior. E conclamou a população idosa a participar dos conselhos municipais de saúde e do ­idoso.

– Não devemos olhar para os 32 milhões de idosos como uma catástrofe. São uma grande vitória e serão cada vez mais se nos capacitarmos e nos mobilizarmos – finalizou.

Orçamento é “chocante”

Ao apresentar as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que, em 2025, o país terá uma população de 32 milhões de idosos, a professora de Psiquiatria da Universidade de Brasília Maria Alice Toledo se disse “impressionada e chocada” com a redução da dotação orçamentária para o atendimento ao idoso.

Segundo a professora,  dos R$ 20 milhões alocados em 2008 foram aplicados somente R$ 6 milhões. Em 2009 os recursos previstos caíram pela metade – R$ 10 milhões – dos quais somente R$ 600 mil foram usados.

Ela também alertou para a “evolução exponencial” do mal de Alzheimer, doença degenerativa que afeta a memória. A psiquiatra lamentou o alto custo do exame de dosagem de vitamina B-12 para detectar a doença, que assim fica restrito a pessoas em boa  situação financeira.

– A grande maioria da população idosa brasileira depende exclusivamente do SUS. É necessário que se dê condições para que esse indivíduo tenha um tratamento digno – avaliou.

Segundo a psiquiatra, o Brasil tem hoje 74 centros de referência do idoso, o que considera um ganho, mas insuficientes para atender à demanda crescente. A médica considera fundamental capacitar os profissionais do programa Saúde da Família para o atendimento domiciliar especializado, principalmente para os pacientes terminais, muitas vezes abandonados pela família nos hospitais.

SUS deve se preparar

Apesar de o envelhecimento populacional ser  uma espécie de “prêmio” pela aplicação de políticas públicas adequadas, o Sistema Único de Saúde enfrentará o aumento no número de doenças crônicas e incapacitantes e a ampliação da utilização dos serviços públicos e dos gastos em saúde.

(Continuação...)

[1] [2]