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Risco de colisão entre aviões e aves cresce e ameaça segurança

Presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) afirma que cidades precisam controlar uso do solo para evitar risco de colisão entre aviões e aves. Risco aviário é a maior ameaça à segurança da aviação

Principal inimiga da moderna aviação, a colisão com pássaros ainda é um dos maiores causadores de acidentes pelo mundo – e nem sempre somente as aves levam a pior. A probabilidade de que essas colisões aconteçam – o chamado risco aviário, que recebeu grande atenção dos senadores da CDR – é aumentada pela presença de atividades que atraem aves (como lixões e frigoríficos), nas proximidades de  aeroportos.

Segundo Ronaldo Jenkins, do Snea, o numero de colisões vem ocorrendo com mais frequência quando o avião está próximo do solo, nas operações de decolagem, pouso e aproximação.

“É preciso uma parceria com o município. Por controlar o uso do solo, as cidades podem evitar esse risco”, sugere Jenkins.

Jenkins informa que, das 659 colisões ocorridas em 2008, 495 foram na aviação civil, com prejuízos para as empresas aéreas de mais de US$ 8 milhões, US$ 4 milhões dos quais cobertos por seguro. Isso porque as franquias na aviação civil são muito altas, acima de US$ 250 mil, principalmente em transporte aéreo regular. Ou seja, em pequenos impactos as companhias preferem arcar com o conserto, já que o custo de recuperação é inferior à franquia.

Em 2009, dos 956 impactos com pássaros, 685 foram na aviação civil, causando um prejuízo de US$ 21 milhões, US$ 17 milhões cobertos por seguro. Até março de 2010, já haviam sido 322 ocorrências de impacto com pássaros, sendo 283 na aviação civil, com US$ 928 mil de prejuízo para as empresas aéreas.

A maior parte das colisões ocorre na decolagem, um dos momentos mais sensíveis do voo, em que a aeronave necessita de muita potência e velocidade. Em 2009 foram 242 incidentes desse tipo. O motor é a parte mais atingida pelas colisões com aves, 208 em 2009, o que, combinado com a maior incidência na decolagem, torna esse tipo de ocorrência ­preocupante.

Para o senador Neuto de Conto (PMDB-SC), “os impactos com pássaros preocupam quem viaja de avião. Os lixões são um foco de urubus e outras aves. Os números, tão elevados, são uma surpresa”.

“O projeto (PLC 74/09) que está no Senado é vital para diminuir os acidentes. A Infraero tem atuado, mas dentro dos limites dos aeroportos. Fora desses limites a responsabilidade é do município”, explica a secretária de Aviação Civil do Ministério da Defesa, Fabiana Todesco.

Segundo ela, o aeroporto do Galeão concentra em torno de 10% dos incidentes com aves. Fabiana aposta que apenas um esforço conjunto do governo, do município, da Anac, da Infraero e do Comando da Aeronáutica pode diminuir o risco aviário.

Poluição sonora

Em seu estudo de 2008, o consultor legislativo do Senado Victor Carvalho Pinto considera que a integração dos aeroportos com as cidades traz, além do risco aviário, vários outros problemas, entre eles o ruído, incômodo especialmente para os vizinhos residenciais, quando o ideal seria que o entorno dos aeroportos tivesse uso apenas comercial e industrial. Também o descontrole no uso do solo, resultando na construção de edifícios que passam a ser obstáculos às aeronaves, assim como a existência de rádios-pirata próximas aos aeroportos, provocando interferência nas frequências de uso privativo do controle de tráfego aéreo, prejudicam a segurança do setor. Carvalho Pinto ressalta ainda que o quadro é agravado por decisões unilaterais da Infraero, não negociadas com estados e municípios, que são responsáveis pelo transporte e pelo planejamento urbano nas grandes cidades.