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Motos

Assim que o tema da segurança de motociclistas foi escolhido para esta edição de Em Discussão!, os fotógrafos do Senado foram às ruas registrar cenas do cotidiano do trânsito. Por se tratar de um evento tão comum nas ruas de Brasília, imaginávamos que flagraríamos um acidente com moto.

Só não pensávamos que seria tão próximo da redação da revista, que fica no prédio de 28 andares que compõe o Congresso Nacional. A cerca de 100 metros, na frente do Palácio do Planalto, um motociclista foi atingido por um carro e sua moto ficou atravessada na pista, congestionando a Esplanada dos Ministérios nas primeiras horas da manhã de 24 de outubro (a foto de José Cruz está nas páginas 16 e 17). Felizmente, o condutor, Freitas Rodrigues Neto, sofreu apenas escoriações no abdômen e foi encaminhado ao Hospital de Base.

Registrar o cotidiano da motocicleta nas cidades brasileiras hoje é registrar a violência. Os motoclistas já são as maiores vítimas do trânsito nacional, que mata mais de 40 mil pessoas por ano. E a situação é ainda mais grave no interior, especialmente do Norte e do Nordeste, que já registram taxas de mortos e feridos superiores às das grandes metrópoles.

Atenta ao problema, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) resolveu promover dois grandes debates (uma audiência pública em maio e um seminário em setembro) para analisar a realidade dos motociclistas e tentar buscar saídas para melhorar o seu futuro. A esperança é que, com a ação do Legislativo, sejam garantidos mais recursos para a educação no trânsito e novas regras para melhorar a fiscalização e a segurança dos motociclistas.

Mais que um meio de transporte, o Senado está lidando com um setor econômico. A grande adesão da população brasileira às motos nos últimos anos (já são 19 milhões delas nas ruas do país) ofereceu a um contingente de pessoas (principalmente homens jovens e das classes D e E) oportunidades de trabalho, que possibilitaram, por exemplo, a expansão dos serviços delivery 24 horas, a locomoção de profissionais liberais que realizam serviços em locais diferentes (eletricista, chaveiro, encanador, manobrista, segurança etc.) e os mais conhecidos do grupo, os chamados motoboys.

Por serem uma novidade no já estressante trânsito urbano, ocupando espaços que antes pareciam vagos, os motoboys logo foram associados a um comportamento de risco no trânsito. Porém, como o cotidiano e as estatísticas mostram, são as maiores vítimas da falta de planejamento e preparo para a nova realidade das ruas.

Nas próximas páginas, a revista apresenta esse conflito diário e mostra o que motociclistas, governo e Senado estão fazendo para tentar aliviar o custo das mortes e feridos no trânsito, que, de acordo com estimativas, consomem mais de R$ 13 bilhões por ano, além de comprometer o próprio futuro do país.

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