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Participação de commodities e de produtos de alta tecnologia na exportação do Brasil


Porto de Paranaguá, no Paraná: quase metade das exportações
brasileiras ainda é composta de produtos primários, como grãos,
minérios,  petróleo e madeira (Foto: Rodrigo Leal/Appa)

Embora nos últimos anos o Brasil tenha se beneficiado de circunstâncias econômicas externas e internas especialmente favoráveis, economistas alertam para a alta e crescente participação de commodities, produtos primários, na matriz de exportação brasileira. Quase metade (48%) dela é composta por produtos in natura (principalmente produtos agropecuários, minérios, petróleo, gás e madeira). Ao mesmo tempo em que o país é beneficiado por essa produção, a avaliação é de que se trata de uma pauta de exportação muito vulnerável a variações nos preços internacionais e ao padrão de consumo de outros países.

Ao se analisar as matrizes de exportação de outros países que participam ativamente do comércio internacional, como a China (onde a participação dos produtos intensivos em recursos naturais é de apenas 9,3%), Estados Unidos (15%), México (23%) ou Índia (29%), percebe-se que há um equilíbrio entre esses produtos e os de valor agregado em tecnologia. Só para se ter uma ideia, a participação de commodities em todo o comércio mundial é de apenas 26%, média bastante inferior ao percentual do Brasil.

A chamada “reprimarização” da pauta de exportação do Brasil já é um fato, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Entre 2007 e 2010, a participação de commodities na pauta de exportações brasileiras saltou de 41% para 51%, depois de ficar em torno dos 40% durante todos os anos 1990. Os dados são do estudo A Primarização da Pauta de Exportações no Brasil: ainda um dilema, dos pesquisadores Fernanda De Negri e Gustavo Varela Alvarenga (veja infográfico abaixo).

Hoje, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mais de 60% das exportações brasileiras são constituídas de produtos não industriais ou de relativamente baixa intensidade tecnológica (commodities, produtos intensivos em mão de obra e recursos naturais) e menos de 30% são produtos de maior conteúdo em tecnologia. Há sete anos o país detinha a exportação de 3,77% de todas as commodities negociadas no mundo. Em 2009, a participação subiu para 4,66%, índice bastante superior à participação do Brasil no total do comércio internacional, estimado em cerca de 1,5%.

Ou seja, desde 2005 vem caindo a participação do país nas exportações mundiais em todas as demais categorias. Enquanto em 2005 o país detinha 0,94% do total da exportação mundial de produtos de média intensidade tecnológica, em 2009 o percentual caiu para 0,74%. Já a contribuição do Brasil para o total de exportações mundiais de produtos de alta tecnologia foi de 0,5% para 0,49% no mesmo período, segundo o estudo do Ipea. Como se vê, índice bastante inferior à participação nacional nas trocas entre os países.

Consequentemente, o déficit na balança comercial de produtos dos segmentos de média-alta e alta tecnologia, segundo o MCTI, passou de US$ 10,1 bilhões em 2007 para US$ 28,4 bilhões em 2010, um aumento de 184%. Os componentes eletrônicos, por exemplo, em especial os semicondutores e displays (optoeletrônicos), com um mercado mundial estimado, em 2010, em US$ 410 bilhões, têm participação de cerca de 80% das importações de componentes eletrônicos (cerca de US$ 6 bilhões em 2010). Outro setor que importa muito é o da saúde, responsável por um déficit de US$ 10 bilhões na balança comercial do Brasil em 2010.

Por outro lado, no mercado de produtos de alta tecnologia, Índia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan e Tailândia, na Ásia, alcançaram exportação de mais de US$ 550 bilhões no período 1998–2010, enquanto a China, sozinha, vendeu ao resto do mundo mais de US$ 450 bilhões no mesmo período.

Sumário

Indicadores de inovação tecnológica no mundo: a posição do Brasil nos rankings

Participação de commodities e de produtos de alta tecnologia na exportação do Brasil

Crise econômica mundial, exportação de commodities e primarização

Investimento em pesquisa e desenvolvimento, ciência, tecnologia e inovação no Brasil

Financiamento público nos países para pesquisa e desenvolvimento de tecnologia

Indústria no Brasil tem pouca participação nos produtos de inovação tecnológica

Laboratórios de pesquisa do Coppe na UFRJ

Convênios tecnológicos da UFCG, PB, referência em tecnologia e engenharia

Incubadoras de empresas no Brasil

Inovação, empresas e universidades: parques tecnológicos no Brasil

Leis federais e estaduais para incentivo de ciência, tecnologia e inovação no Brasil

Pesquisa, ciência, tecnologia e inovação começam na educação

Investimento em inovação tecnológica: Finep e os pesquisadores brasileiros

Universidade: doutores que não chegam às empresas e à pesquisa na indústria do Brasil

Formação em engenharia no Brasil: engenheiros para ciência e inovação tecnológica

Orçamento público de ciência, tecnologia e inovação: investimento do governo do Brasil

Desenvolvimento de pesquisas: NITs e redes temáticas

Programa Ciência sem Fronteiras: bolsas para estudantes e pesquisadores

Programas do CNPq para desenvolvimento de projetos de pesquisa em empresas

A Lei do Bem (Lei nº 11.196, de 2005)

Empresas privadas e leis de incentivo à ciência no cenário nacional

A economia do conhecimento: seminário sobre produção, ciência, tecnologia e inovação

Universidades do Brasil: poucas patentes e inovação tecnológica

Projeto de lei para setor de ciência, tecnologia e inovação

Recursos: o fundo social dos royalties de petróleo