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Formação em engenharia no Brasil: engenheiros para ciência e inovação tecnológica


Formatura de alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 2011:
a instituição é uma das principais escolas de engenharia no país (Foto: FAB)

Uma das fragilidades brasileiras em relação a ciência e inovação tecnológica foi levantada por vários participantes do seminário promovido pela CCT do Senado: faltam engenheiros. Marcelo Sampaio de Alencar, professor da Universidade Federal de Campina Grande, fez uma ilustração para demonstrar como o engenheiro é importante na hora de inovar: “O artista é o indivíduo que contempla a natureza. O filósofo estuda a natureza e procura entendê-la. O físico modela a natureza a partir do entendimento dos fenômenos. O engenheiro controla a natureza, tratando-a como um serviço. E o Brasil não produz engenheiros, que é quem produz inovação”.

Alencar destaca que, enquanto a China diploma 700 mil engenheiros por ano, e 38 chineses entre cada 100 que acabam o ensino superior estão em engenharia e áreas tecnológicas, o Brasil forma apenas 40 mil desses profissionais anualmente, numa proporção de 5,8 para cada 100 brasileiros. Isso sem contar que muitos dos engenheiros já formados não atuam em engenharia. “Não há inovação sem formação de engenheiros. Então, é preciso formar engenheiros e, para isso, é preciso estimular os alunos a fazerem Engenharia, uma área árdua”, argumenta o professor de Campina Grande.

De acordo com o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, o problema começa na falta de qualidade da formação básica, nos ensinos fundamental e médio: “Se não sabe Física, Matemática, não dá para ser engenheiro”. O analista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Rodrigo de Araújo Teixeira mencionou ainda que a evasão nos cursos de Engenharia é alta no Brasil, passando de 50%. Para ele, isso também é reflexo da baixa qualificação do ensino básico em Matemática e Física.

Outra razão para a falta de engenheiros produzindo inovação tecnológica na indústria, explica o presidente do CNPq, é a alta demanda do mercado por esses profissionais, que acabam indo para cargos de gestão no mercado financeiro ou até para o serviço público. A rede de ensino e pesquisa no Brasil não consegue competir por conta dos baixos salários que oferece. O valor das bolsas de pesquisa também é muito baixo para atrair os profissionais de Engenharia a continuar a formação se aperfeiçoando na universidade.

Marcelo Gleiser, professor titular no Dartmouth College, nos Estados Unidos, também falou sobre o problema da falta de engenheiros para inovação tecnológica: “O currículo científico no Brasil é chato. Acho um milagre que o Brasil tenha tantos cientistas bons. Primeiro, entre 30% e 40% dos professores do ensino fundamental e médio não têm formação universitária. Segundo, a maioria dos que ensinam ciência não sabe ciência. Além de não saber, ensinam de forma forçada e, portanto, sem paixão. O professor que não tem paixão não vai saber ensinar nem inspirar os alunos a aprender. Na sala de aula, no quadro-negro, memorizando, não é assim que se aprende ciência. Ciência é a narrativa que criamos sobre o mundo natural. Em um parque você mostra o céu, as ruas, o sol, as árvores, o solo. Toda a ciência está ali. Depois é que se vai para a sala de aula, para se falar dos fundamentos”, concluiu.

Sumário

Indicadores de inovação tecnológica no mundo: a posição do Brasil nos rankings

Participação de commodities e de produtos de alta tecnologia na exportação do Brasil

Crise econômica mundial, exportação de commodities e primarização

Investimento em pesquisa e desenvolvimento, ciência, tecnologia e inovação no Brasil

Financiamento público nos países para pesquisa e desenvolvimento de tecnologia

Indústria no Brasil tem pouca participação nos produtos de inovação tecnológica

Laboratórios de pesquisa do Coppe na UFRJ

Convênios tecnológicos da UFCG, PB, referência em tecnologia e engenharia

Incubadoras de empresas no Brasil

Inovação, empresas e universidades: parques tecnológicos no Brasil

Leis federais e estaduais para incentivo de ciência, tecnologia e inovação no Brasil

Pesquisa, ciência, tecnologia e inovação começam na educação

Investimento em inovação tecnológica: Finep e os pesquisadores brasileiros

Universidade: doutores que não chegam às empresas e à pesquisa na indústria do Brasil

Formação em engenharia no Brasil: engenheiros para ciência e inovação tecnológica

Orçamento público de ciência, tecnologia e inovação: investimento do governo do Brasil

Desenvolvimento de pesquisas: NITs e redes temáticas

Programa Ciência sem Fronteiras: bolsas para estudantes e pesquisadores

Programas do CNPq para desenvolvimento de projetos de pesquisa em empresas

A Lei do Bem (Lei nº 11.196, de 2005)

Empresas privadas e leis de incentivo à ciência no cenário nacional

A economia do conhecimento: seminário sobre produção, ciência, tecnologia e inovação

Universidades do Brasil: poucas patentes e inovação tecnológica

Projeto de lei para setor de ciência, tecnologia e inovação

Recursos: o fundo social dos royalties de petróleo