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Defesa Nacional

Em lugar do belicismo tão caro a diversos países com pretensões hegemônicas, a estratégia de dissuasão tem sido historicamente adotada pelo Brasil na defesa. Nossa política externa sempre se pautou pela não intervenção e pela solução pacífica dos conflitos. Porém, a descoberta das grandes reservas de petróleo no pré-sal amplia os recursos naturais e as potencialidades já ­conhecidas — grandeza territorial, riquezas da Amazônia etc. — e coloca o país na mira de interesses inquietantes.

Foi sobre esse cenário que a ­Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado se debruçou no ano passado em cinco audiências públicas. Pode-se dizer que é praticamente unânime a conclusão dos senadores e dos especialistas civis e militares de que a tradicional estratégia de dissuasão só será eficaz se o país se dotar de estrutura de defesa forte, moderna e integrada, capaz de desestimular e, em um segundo estágio, repelir eventuais ataques externos. Em outras palavras, é preciso fortalecer as Forças Armadas.

Conforme os debatedores, o potencial das reservas do pré-sal colocou o país em posição importante na área da energia, eixo tradicional de conflitos entre nações, expondo-o a cobiças e pressões externas inclusive no campo militar. Para o diplomata e professor João Paulo Soares Alsina Junior, por exemplo, apenas essa circunstância seria suficiente para que o Brasil conferisse atenção especial à política de defesa. Foi dito ainda que é ­preciso ­considerar os 7 mil quilômetros de faixa litorânea e a extensão do espaço marítimo em que o Brasil tem domínio, difícil de ser vigiado pela sua grandiosidade: 963 mil quilômetros quadrados de zona econômica exclusiva, que podem ser ampliados para 4,5 milhões.

A situação da Amazônia não seria menos complicada. Por concentrar um quinto da água doce do Planeta e 15% de todas as espécies vegetais e animais conhecidas, o potencial econômico da região não é pequeno. A cobiça internacional também não. Por esse motivo, a preocupação dos debatedores com a presença de um grande número de organizações não governamentais na região — que estariam a serviço de ­interesses estrangeiros — e as terras indígenas. A pretexto de proteger as comunidades que nelas vivem, afirmaram, essas áreas poderiam ser objeto de ações internacionais para restringir a soberania do Estado brasileiro sobre elas.

O tema da defesa nacional também passa a ter importância maior diante do papel de protagonista que o Brasil reivindica para si no cenário internacional. Como disse o senador Fernando Collor, “diplomacia e defesa nacional andam pari passu, uma não pode prescindir da outra”.

Este número da revista Em discussão! analisa em detalhes essa nova realidade, que impõe um custo alto, principalmente financeiro. Resta saber o quanto a nação brasileira está disposta a pagar.

Boa leitura!


Comentários

Caças

Que os caças não sejam franceses! A superioridade americana, neste ponto, é inquestionável.

28/02/2013 22:18:17, Andre Prado
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