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RESPOSTA
DO SENADOR MARCELO CRIVELLA (03/04/07)
1) Gostaria de esclarecer a HARPAZO - Movimento Cristão Pela
Diversidade -, a minha posição em relação
ao PLC 122/2006. O cerne da discórdia traduzido em sua carta-resposta
é a interpretação de versículo do Levítico,
que adverte que “o homem que deita com homem, como se mulher
fosse, comete abominação aos olhos de Deus”
(18:22). Segundo entende a HARPAZO, obedecer a esse versículo
nos obriga a aplicar, também, as penas de morte impostas
a adúlteros, idólatras e filhos desobedientes. A HARPAZO
afirma, também, que o Senhor Jesus Cristo não mencionou
o homossexualismo como pecado, e que Ele nos trouxe uma nova doutrina
ou “Carta Magna”, que é o “Evangelho do
Amor”.
2)
Segundo a HARPAZO afirmar que o homossexualismo é pecado
estimula a homofobia, constituindo-se ato de violência verbal
e psicológica, que promove o ódio, o preconceito e
até suicídios.
3)
Consideram, também, que a citação de um versículo
bíblico confronte com o pressuposto de um estado laico.
4)
Assim, a HARPAZO - Movimento Cristão Pela Diversidade -,
pelas razões acima expostas, considera meu ponto de vista
“confuso”.
5)
Inicio essa exposição reiterando, de maneira enfática,
o meu respeito à opção sexual de cada indivíduo
e o meu repúdio, veemente, contra atos de violência
aos direitos humanos, qualquer que seja a sua motivação.
Tenho por todos os homossexuais o respeito e o amor ensinado na
Bíblia, que conforme Romanos, não pode ser dissimulado
ou fingido. Mas, assim como respeito opções e opiniões
com as quais por ventura não concorde, creio merecer o tratamento
recíproco.
6)
Esclareço que ao contrário do afirmado, o Senhor Jesus
citou sim o homossexualismo como pecado. ELE o fez ao afirmar que
não viera para revogar a Lei, mas para cumpri-la e que o
céu e a terra passarão mas nenhum til da Lei passará
até que se cumpra, o que inclui as inúmeras citações
contrárias à prática do homossexualismo no
Velho Testamento.
7)
Portanto, o Novo Testamento não revogou a Lei, mas as penas
que ela impunha. Jesus não permitiu apedrejar a mulher adúltera,
mas não deixou de adverti-la: “vá e não
peques mais”. O adultério continua sendo pecado, o
que mudou foi a pena. A graça do calvário traz a oportunidade
de arrependimento e de perdão, ao invés das pedras
da condenação.
8)
O apóstolo Paulo, na carta aos Coríntios é
definitivo quanto à visão bíblica sobre o homossexualismo:
“Não sabeis que os injustos não herdarão
o Reino de Deus? Não vos enganeis. ... nem os efeminados,
nem os sodomitas, ... herdarão o Reino dos Céus”
(1 Coríntios: 6 a 9). O mesmo Paulo reafirma essa posição:
“Por isso Deus os abandonou às paixões infames.
Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário
à natureza. E, semelhantemente, também os homens,
deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade
uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo
em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. (Romanos 1:
26 e 27)
9)
Enquanto for destino do homem, independentemente da situação
da natureza, a perpetuação da existência, manter-se-á
válida a orientação antropocêntrica de
toda a ética clássica. Reconhecer a ignorância
é o outro lado da obrigação do saber, que com
isso torna-se uma parte da ética que deve instruir o autocontrole
sobre o nosso excessivo poder. Nenhuma ética anterior era
obrigada a considerar a condição global da vida humana
e, no futuro distante, inclusive o destino da espécie. Hoje,
com a prática do homossexualismo em escala global, difundida
e enaltecida nos meios de comunicação, protegida como
quer o PLC 122/2006, comete-se indiscutível erro ético
que se soma à discussão metafísica.
10)
Finalmente, com essa exposição deixo claro que, assim
como considero absoluto e indiscutível o respeito à
opção sexual de cada indivíduo, penso ter o
direito de expressar livremente minha opinião, como gesto
de respeito e amor cristão, por isso reafirmo ser absolutamente
contrário à prática do homossexualismo. Não
há confusão nisso. Não há dúvidas,
nem ética nem religiosa, como também não há
ofensa ou estímulo a violência de qualquer natureza.
Impedir por lei a liberdade de exprimir essa convicção
é pratica tão radical e odiosa quanto a discriminação
que se quer coibir. A propósito, lembro aqui das palavras
de um ex-juiz da Suprema Corte norte-americana, de nome Jackson,
a quem coube decidir um impasse similar nos idos de 1943. Ao acolher
o pedido, o juiz fez o seguinte registro em sua decisão:
“... quem começa a eliminar coercitivamente as discordâncias,
logo estará eliminado os que discordam. A unificação
compulsória de opiniões só consegue a unanimidade
do túmulo...”.
11) A discussão jurídica sobre a discriminação
contra o homossexualismo e o seu confronto com a liberdade de pensamentos
e garantias à profissão de fé, de qualquer
religião, ou de nenhuma, bem como as relações
sociais, trabalhistas e familiares inerente, têm sido abordadas
por grandes juristas, como recentemente o fez o ex-ministro do Supremo
Tribunal Federal, Célio Borja, em artigo intitulado “A
liberdade de pensar e julgar a homofobia”, o que fez com grande
propriedade e cujas motivações acolho integralmente
e recomendo a leitura.
12)
Finalmente, deixo claro que minha intenção ao citar
o texto bíblico traduziu uma posição de fé
convergente com minhas convicções políticas.
Mas isso sem necessariamente subordiná-las, na medida em
que, pertencendo a um Estado laico, encontro na Ética política
suficientes argumentos, fundados no direito inalienável à
livre manifestação do pensamento, para justificar
a posição de um pai e de uma mãe que não
podem ser imputados de discriminadores se ensinarem a seus filhos
que a relação natural no acasalamento é entre
homem e mulher. Em outras palavras, acho uma inversão total
de valores éticos discriminar pais e mães, e até
criminalilzá-los, como quer o projeto, caso orientem os filhos
para relações sexuais em acordo com a natureza.
Cordialmente,
Senador MARCELO CRIVELLA
CARTA
DO HARPAZO (29/03/2007)
O
HARPAZO (Movimento Cristão pela Diversidade), vem por meio
desta responder às críticas do senador Marcelo Crivella
(PRB-RJ) em Plenário, nessa segunda-feira (19/03), ao projeto
de Lei da Câmara (PLC 122/06) que
criminaliza - na forma de delito de opinião - qualquer tipo
de crítica ofensiva ao homossexual.
Segundo
Crivella: "A decisão dos deputados em aprovar a Lei
na Câmara acabou confundindo o respeito devido a uma opção
individual da pessoa com o uso do poder do Estado, através
do seu corpo de leis, para impor a todos os cidadãos um comportamento
que é claramente antinatural". O senador fundamentou
seu argumento de que a orientação homossexual é
errada recorrendo à passagem bíblica "o homem
que deita com homem como se mulher fosse comete abominação
aos olhos de Deus".(Levítico 18: 22)
Antes
de qualquer coisa, queremos lembrar ao senador que o Estado é
laico. Não há qualquer confusão por parte dos
deputados que aprovaram a PLC 122/06. Confusão há
na cabeça do senhor senador que desconhece a realidade, e
que permanece alheio às conseqüências violentas
da homofobia que sofre a população GLBT. A cada dia
no Brasil, os homossexuais sofrem violências físicas
e verbais (e até assassinatos) por não poderem expressar
livremente sua sexualidade, que é um direito humano que deve
ser respeitado.
Confuso
é o senador ao afirmar que a homossexualidade é antinatural.
Algumas igrejas cristãs sempre condenaram a homossexualidade
porque a consideram como sendo contrária às leis da
natureza. De igual forma, se interpretássemos o texto bíblico
de maneira fundamentalista, poderíamos argumentar que o celibato,
defendido por séculos como o mais elevado estado da vida
cristã, seria "contrário às leis da natureza",
ao se opor ao paradigma bíblico do "crescei e multiplicai-vos"
(Gen 1,28). No entanto, este não é certamente o procedimento
mais honesto para discernirmos a Palavra de Deus.
A
mesma Bíblia, no Velho Testamento, estipula que as mulheres
devem ser socialmente isoladas enquanto menstruadas, que os pais
devem matar seus filhos se estes adorarem qualquer outro deus que
não o Deus Único e que
aqueles que trabalham no Sábado devem ser executados. Atualmente,
poucos cristãos concordam com essas práticas prescritas
pelo Levítico. Quando perguntamos aos membros de uma igreja
qual a sua opinião sobre esses trechos, costumam afirmar
que os tempos são outros e que não devemos mais tratar
o próximo com tamanha crueza. "Afinal de contas, o maior
entre todos os mandamentos é o amor", afirmam sem pestanejar.
Porém, os mesmos "cristãos" não aparentam
o menor escrúpulo ao condenar os homossexuais, sem ao menos
considerar que são filhos de Deus e que merecem ser tratados
como tal. A eles decidiram, não se sabe com que autoridade,
aplicar a "lei" do Levítico (18: 22), nua e crua,
ignorando a Carta Magna deixada por Jesus, que é o Evangelho
do Amor.
Também
queremos lembrar ao senador Crivella que, em 17 de maio de 1990,
a assembléia geral da OMS aprovou a retirada do código
302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional
de Doenças, declarando que "a homossexualidade não
constitui doença, nem distúrbio e nem perversão".
A nova classificação entrou em vigor nos países-membros
das Nações Unidas em 1994. Com isso, marcou-se o fim
de um ciclo de 2000 anos, durante o qual as instituições
eclesiásticas apresentaram a homossexualidade, primeiramente
como pecado, depois como crime e, por último, como doença.
Confuso
é o senador que utiliza uma passagem bíblica para
fundamentar seu argumento equivocado e ainda por cima não
leva em consideração o contexto histórico e
cultural do povo hebreu há 4.000 anos! Esta condenação
a atos homossexuais, a que se refere o versículo do Levítico
citado pelo senador advém de várias causas: sociais,
culturais, ritualísticas e históricas. O termo "abominação"
(to'ebah ou toevah) é um termo religioso, usualmente
utilizado para condenar a idolatria e não propriamente um
mal moral. De acordo com alguns autores, o verso bíblico
parece se referir ao templo de prostituição, uma prática
comum no Oriente Médio na época de Moisés.
Qadesh se referia aos homens que praticavam a prostituição
religiosa como forma de idolatria, prática comum entre os
povos politeístas. O sexo entre iguais era visto como algo
fora do padrão aceita por aquela cultura, pois estava associado
à prática da idolatria e à violência.
Hoje, com exceção de alguns grupos, muitos estudiosos
tratam estas questões como interessantes dados históricos
que já não fazem sentido quando são aplicados
"literalmente" em uma cultura científica e socialmente
mais adiantada. Infelizmente, o erro maior dos fundamentalistas
bíblicos está na inobservância do contexto cultural
do tempo da criação da lei do Levítico.
Curiosamente,
o que se observa hoje é que todas essas proibições,
com exceção da expressão da homossexualidade
foram esquecidas. Corta-se o cabelo, faz-se a barba e come-se carne
de porco ou lebre como se jamais tivessem sido estas práticas
proibidas pelo Levítico. Porém, a prática homossexual
continua a ser apontada como impura perante os olhos de Deus, ao
passo que as outras proibições teriam sido "revogadas"
pelo Criador. Os textos bíblicos, entretanto, não
especificam onde e de que maneira esta revogação supostamente
aconteceu. Infelizmente, nem os próprios fundamentalistas
sabem explicar isto. Não existe uma razão para se
manter a proibição específica à homossexualidade
e, por outro lado, desconsiderar as demais. É importante
ressaltar que o "banimento" de homossexuais permanecerá
num nível altíssimo e inúmeras mortes e suicídios
continuarão a ocorrer enquanto os religiosos insistirem em
propagar a aversão à homossexualidade e transformá-la
em ódio aos homossexuais. Acredita-se que esta "homofobia
sistematizada" (por que não dizer, "organizada")
é, atualmente, responsável pelas mortes de jovens
homossexuais num grau semelhante à responsabilidade pelo
extermínio de bruxas e outros "heréticos"
durante a Idade Média e a Renascença.
Infelizmente,
a legislação brasileira é omissa no que tange
à discriminação baseada na orientação
sexual do indivíduo. O que ocorre é a necessidade
de uma formulação legal urgente, a fim de acabar ou,
pelo menos, reprimir tanta violência praticada contra os homossexuais,
justamente porque não há amparo legal. Violências
físicas são comuns, levando o Brasil ao ranking de
país mais violento do mundo quando o assunto é homossexualidade.
Acreditamos
que o Senador Crivella está confuso quanto ao seu papel como
político e como cristão, ao usar a passagem bíblica
de Levítico para justificar seu argumento claramente homofóbico.
Primeiro porque o Estado é laico e segundo porque aqueles
que tentam justificar a proibição da homossexualidade
a partir do Levítico e outras passagens similares estão
presos à necessidade de aderir a toda a lei do Velho Testamento.
Como cristãos, acreditamos que, após o cumprimento
da missão de Jesus na Terra, a Lei foi revogada. O apóstolo
Paulo lembra que aquele que deseja seguir qualquer "parte"
da Lei é um "devedor" de toda a Lei. A verdade
maior do cristianismo está em Jesus Cristo, o qual transcendeu
a lei mosaica. Jesus nunca mencionou nenhuma palavra sobre a questão
da homossexualidade ou atos envolvendo pessoas do mesmo sexo. Neste
sentido, se a homossexualidade é um pecado, como querem alguns,
por que o Filho de Deus não disse qualquer palavra sobre
o tema? Ele realizou centenas de pregações sobre questões
de fé e comportamento. Entretanto, nunca mencionou a homossexualidade.
É
preciso observar, urgentemente, qual é o verdadeiro papel
da religião quando o assunto é homossexualidade: incitar
o ódio e a violência contra os semelhantes ou amar
o próximo como a si mesmo. Como cristão, o senhor
Senador deve refletir que Deus ama tanto a diversidade que nos fez
diferentes uns dos outros: brancos, negros, amarelos, altos, magros,
homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais. Por que o preconceito?
Por que a discriminação? Deus não faz acepção
de pessoas (Rm 2,11).
Pronunciamento
do Senador Marcelo Crivella, em 19/03/07
Sobre
projeto que criminaliza opinião contra homossexualismo.
O SR. MARCELO CRIVELLA (Bloco/PRB – RJ. Pronuncia o seguinte
discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente,
Srªs e Srs. Senadores, Srs. telespectadores da TV Senado, Srs.
ouvintes da Rádio Senado, senhores presentes, chega-nos da
Câmara dos Deputados substitutivo a projeto de lei que criminaliza
como preconceito, na forma de delito de opinião, qualquer
tipo de crítica ao homossexualismo. Falo do PLC nº 122,
de 2006.
Suspeito que possa ter escapado aos Srs. Deputados a completa extensão
da decisão que tomaram, pois ela acabou confundindo o respeito
devido a uma opção individual da pessoa com o uso
do poder do Estado, através de seu corpo de leis, para impor
a todos os cidadãos que aceitem, como normal, um comportamento
que, claramente, é antinatural.
Não creio que a atitude de um pai ou de uma mãe orientar
um filho, uma filha em termos de sexualidade possa vir ser considerada
crime se apresentarem o homossexualismo como errado. É um
direito inalienável, um direito de consciência dos
pais, garantido pela Constituição, poderem explicar
aos filhos o que a sociedade e, antes da sociedade, a própria
natureza consideram como correto nas escolhas sexuais. E é
uma invasão à intimidade do lar pretender coibir,
por lei, esse tipo de orientação, como será
inevitável caso esse projeto seja acatado pelo Senado na
forma do substitutivo aprovado na Câmara.
Sr. Presidente, Senador Mão Santa, Sr. Senador Edison Lobão,
quero deixar claro que respeito os homossexuais, aos quais se deve
garantir os direitos, tanto no plano dos direitos humanos quanto
dos direitos de cidadania. Mas não posso entender essa tentativa
de punir como preconceito a manifestação de um pensamento
crítico contra o homossexualismo em geral.
A tutela da lei à criança justifica-se porque ela
não tem por si condições de assegurar os seus
próprios direitos. Assim também acontece com os idosos.
A mulher, em razão de ter menor força física
do que o homem, também merece a tutela da lei. Mas o mesmo
não é válido afirmar em relação
aos homossexuais, sobretudo os do gênero masculino.
Srªs e Srs. Senadores, Srs. telespectadores da TV Senado, que
seja respeitado o direito individual de cada um decidir a sua opção
sexual, que seja respeitado o direito de o homossexual ir e vir,
de não sofrer violência, de trabalhar dignamente. Mas
que seja respeitado também, Sr. Presidente, no mesmo nível,
o direito – e, digo, até dever legal – de um
pai educar seus filhos no caminho ditado por sua própria
consciência, que foi o de formar família, e de poder
dizer que homossexualismo é errado, ou o direito de um sacerdote,
do púlpito, dizer que homossexualismo é pecado. E
que a lei não tente, Sr. Presidente, porque é garantido
pela Constituição brasileira o direito de culto, a
liberdade religiosa, arrancar da Bíblia palavra escrita por
Moisés que nos adverte, há milênios, que o homem
que deita com outro homem como se mulher fosse comete diante dos
olhos de Deus uma abominação.
Sr. Presidente, eram essas as minhas palavras. Muito obrigado.
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