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TV digital
Edição de segunda-feira 28 de agosto de 2006
Em dia com a linguagem do futuro

Novo passo da revolução tecnológica chega ao Brasil: modelo vai modificar o cotidiano da sua família

Com surpreendente rapidez, presenciamos nos últimos anos uma autêntica revolução tecnológica. O processo está em pleno andamento e parece se intensificar a cada dia. Computadores, câmeras digitais e telefones celulares passaram a fazer parte da rotina das pessoas e mudaram nossa percepção do mundo. A internet e seus subprodutos transformaram as relações pessoais e o acesso à informação. O próximo capítulo dessa excitante saga tecnológica acontecerá na sala de sua casa, com a chegada da TV digital. O Jornal do Senado preparou uma relação de termos com que você deve começar a se familiarizar para não perder o trem da história.

Banda – Faixa de freqüência no espectro eletromagnético.

Cabo – Forma de acesso de transmissão televisiva, por meio de cabeamento entre a operadora e o domicílio receptor. É o caso da NET.

Codificação de canal – Protege e corrige erros, para preservar a integridade dos dados transportados através de um canal, principalmente de radiofreqüência.

Datacasting –É uma das formas de oferta de produtos e serviços pelo canal da TV digital. Por ela, por exemplo, poderão ser feitas transações comerciais (t-commerce) ou bancárias (t-banking). Se um programa se dedica à culinária, podem ser oferecidas informações sobre produtos expostos no programa à venda. E quem assiste àquele programa poderá fazer a compra, por meio de seu controle remoto, de um cardápio na própria tela da TV ou em um site na internet. Até mesmo a roupa ou acessórios de uma celebridade em uma novela podem ser colocados à venda por esse sistema. Da mesma forma, um programa educacional pode oferecer acesso a material didático, planos de estudo, etc.

DTH (Direct to Home) – Uma das maneiras de transmissão do sinal de TV, por meio de satélites. É o caso da Sky e DirecTV.

EDTV (Enhanced Definition TV) – TV com imagem de qualidade elevada. Está entre a SDTV e a HDTV (veja adiante). Tem definição padrão de 480 linhas em uma definição seqüencial de sinal progressivo. A transmissão nessa qualidade permite a divisão de uma faixa de espectro de 6MHz para transmissão simultânea de duas programações.

Espectro eletromagnético – É o intervalo completo da radiação eletromagnética, que vai desde as ondas de rádio (AM, FM, VHF, UHF), infravermelho, luz visível, raios ultravioleta, até a radiação gama. A radiação é formada por cargas elétricas e magnetismo que transportam energia em um movimento linear. É aí que trafegam as informações capazes de gerar sons e imagens e transportar dados. Diferentemente da luz, não é visível para os olhos humanos.

HDTV (High Definition TV) – TV de alta definição. Atualmente, o sinal analógico transmitido possibilita uma imagem que tem 480 linhas de resolução horizontal, entrelaçadas com linhas verticais no mesmo número. Com alta definição, pode-se transmitir 720 linhas (em formato progressivo) ou 1.080 linhas (entrelaçadas). O HDTV também muda o formato da tela (Widescreen), que fica na mesma proporção da tela de cinema. Na TV convencional, a proporção é de 4 por 3. Na alta definição o formato é de 16 por 9. A TV convencional tem resolução de aproximadamente 210 mil pixels (pontos de imagem). A HDTV pode chegar a ter cerca de 2 milhões de pixels, fazendo com que textura, cor e profundidade de campo transmitam uma imagem mais parecida com a real.

Interatividade – Permite que, por meio do controle remoto, haja participação do telespectador em situações determinadas pelas emissoras, como enquetes, e espaços abertos a perguntas e opiniões.

Middleware ou API (Application Program Interface) – Traduz os dados do sinal digital em informações que são exibidas na tela da TV. Funciona como um software capaz de juntar som, vídeo e imagens, compatíveis com as aplicações de datacasting e interatividade da TV digital. Cada padrão de TV digital tem seu middleware próprio.

MMDS (Multichannel Multipoint Distribution Service) – Outra maneira de transmissão do sinal de TV, por microondas. É o caso de alguns serviços de TV por assinatura, como a Mais TV (antiga TVA).

Mobilidade – Função do padrão de TV digital que permite que os sinais transmitidos sejam captados por terminais em movimento.

Modelos de negócio – Diz respeito a como as emissoras e as empresas envolvidas no fornecimento de serviços de TV digital irão dividir a capacidade do canal entre os diferentes formatos de transmissão.

Modulação – É o que determina a principal diferença entre os padrões de TV digital existentes. É a maneira como a informação é organizada para, então, ser transmitida. As pesquisas sobre o SBTVD buscaram uma solução para a transmissão e recepção de sinais digitais, diferente das oferecidas pelos atuais padrões existentes.

MPEG-2 – Tecnologia de codificação e compressão de informações de imagem de vídeo. É utilizado no DVD e por todos os padrões de TV digital já desenvolvidos até o momento. (Com relação à codificação do sinal de áudio, alguns países optaram pelo sistema Dolby Digital, o AC-3, e outros pelo próprio MPEG-2.)

Multiprogramação – É uma das possibilidades abertas pelo sinal digital, já que vai permitir um uso mais elástico do espectro eletromagnético (veja verbete SDTV). No caso da TV Senado, em SDTV, será possível ter, simultaneamente, imagens do Plenário, de uma comissão, de uma CPI e ainda de reportagens. Em uma transmissão de futebol, cada sinal pode transmitir integralmente as imagens de uma câmera diferente no estádio. (Obs.: a multiprogramação não é possível se a emissora concessionária de espaço no espectro eletromagnético decidir pela transmissão em HDTV, já que, por ter mais informação audiovisual, ocupa maior espaço. Dessa forma, o espaço ocupado pelo sinal de uma emissora em formato analógico será ocupado integralmente pela mesma emissora em formato digital. É a chamada monopro-gramação.)

Padrão de TV digital – Tecnologias de TV digital desenvolvidas em diversos países para permitir o melhor uso do espectro eletromagnético, com a possibilidade de agregar novos serviços. Os principais são os desenvolvidos nos EUA (ATSC), na Europa (SDB) e no Japão (ISDB). A China também desenvolve o seu. O Brasil escolheu no início de julho o padrão japonês como base para a TV digital no país.

Portabilidade – Permite que os sinais digitais transmitidos sejam captados por terminais portáteis, como celulares (desde que preparados para a recepção), computadores de mão (palm tops, notebooks), que podem ou não estar em movimento.

SBTVD (Sistema Brasileiro de Televisão Digital) – Instituído por decreto presidencial em novembro de 2003, para desenvolvimento de um padrão com tecnologia nacional. Diversos consórcios formados por instituições de pesquisa e empresas foram envolvidos e chegaram a avanços tecnológicos que, segundo o decreto de julho de 2006, serão utilizados no Brasil juntamente com o padrão japonês.

SDTV (Standard Definition TV) – Definição com resolução equivalente à oferecida pelo atual sinal de TV. Em formato digital, será possível enviar, no mesmo espaço de freqüência atual (6MHz), até quatro sinais de audiovisual e, em futuro próximo, até oito sinais.

Sinal – São as informações necessárias (brilho, cor, sincronismo e áudio) para formação do audiovisual recebido pelo televisor.

Sinal analógico – Formato atual da transmissão. O sinal varia continuamente e é mais disperso e menos preciso, diferentemente do digital.

Sinal digital – Em formato digital, o sinal é comprimido por meio da eliminação de redundâncias e uma série de novos recursos pode ser incorporada, visando melhorar e ampliar o serviço para o telespectador. Elimina problemas de recepção (chuviscos na imagem, "fantasmas", interferência no som, etc).

Som digital – A tecnologia digital permite que todos os meios usados para captação de sons, inclusive pelo cinema, sejam transmitidos para a televisão, com qualidade análoga aos CDs. Televisores atuais já são capazes de reproduzir áudio de alta qualidade, mas apenas quando são usados para exibir DVDs.

Transmissão terrestre – Sistema mais comum de transmissão do sinal de TV. Utiliza o chamado espectro eletromagnético e pode ser feito nas freqüências VHF ou UHF. É por meio delas que o sinal chega a uma antena interna ou externa. É nessas freqüências que o sinal digital trafegará. É o único meio de transmissão pelo qual o usuário não paga no Brasil.

UHF (Ultra High Frequency) – Faixa do espectro que vai dos 300 MHz aos 3 GHz. Cada canal de TV em UHF ocupa uma faixa de 6 MHz.

VHF (Very High Frequency) – Faixa do espectro que vai dos 30 MHz aos 300 MHz (canal 2 ao 13). Cada canal de TV em VHF ocupa uma faixa de 6 MHz.

Glossário elaborado com a supervisão do consultor legislativo do Senado Marcus Martins, especialista em regulação em telecomunicação.

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